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A sombra

Experiências e lembranças de um indivíduo que carregam incômodos intensos, desconfortos emocionais e memórias desagradáveis, são armazenadas ao inconsciente pessoal. Tal mecanismo acontece de modo autônomo, sem ou relativa participação da consciência, como forma de proteção ao indivíduo à dor vivenciada ou fantasiada. 

Embora seja um sistema de proteção, tal experiência dolorosa jamais será perdida. Independentemente da capacidade do indivíduo na recuperação da lembrança, os sentimentos que foram repelidos ao inconsciente, poderão se manifestar como sonhos ou, muitas vezes, em reações e comportamentos indesejados.

O inconsciente pessoal não carrega apenas experiências reprimidas, como também conteúdos que estão além da capacidade de elaboração ou entendimento. Portanto, os conteúdos do inconsciente pessoal, são àqueles adquiridos durante a vida de um indivíduo ou produções do seu próprio inconsciente, que não possuem carga energética suficiente para emergir na consciência. 

Correspondem àqueles aspectos que, em algum momento do desenvolvimento da personalidade, não estavam em consonância com os valores e ideais do ego e, portanto, foram reprimidos ou negados. Como também, aquele conteúdo da memória que não necessita estar constantemente presente na consciência, ou que ainda não esteja em condição de desenvolvimento ou elaboração.

A parte da personalidade que foi reprimida em benefício do ideal de ego é chamada de sombra. A sombra é o centro do inconsciente pessoal, o núcleo do material que foi reprimido da consciência. Jung fala da sombra pessoal como o outro em nós, a personalidade inconsciente, o inferior censurável, o outro que nos embaraça ou envergonha.

Sombra é aquilo que é negado em nós, não somente por repulsa, mas também afinidade. Portanto, ao longo do desenvolvimento, mantemos na consciência apenas os atributos que nos identificamos por algum motivo. E consequentemente, os atributos que não encontramos assimilação, ficam destinados ao inconsciente, como conteúdos sombrios.

A sombra representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade, como também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Ela não é composta apenas pelo que ficou reprimido ou recalcado, como também pode abrigar nossas potencialidades. Mas que, em nosso desenvolvimento, não pudemos incorporar à nossa vida consciente, por qualquer motivo que tornou essas qualidades positivas subestimadas e, portanto, desvalorizadas e reduzidas à um senso de menos valia. Ou supervalorizadas, em contraposição a uma percepção da nossa própria força estar aquém do necessário para a capacidade psíquica de realização. 

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